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E novamente eu estava sentada olhando pela janela as luzes da cidade na madrugada.
Vagando entre pensamentos minha mente viajava entre um turbilhão de lembranças, sonhos há muito esquecidos, prosas nunca terminadas, poemas escondidos em diários, até letras de músicas escritas que foram para o lixo na última reforma.
A madrugada passava lentamente, e sem que o sono viesse ao meu encontro continuava a olhar para as luzes da cidade. Milhares de pontinhos brancos no breu como uma pintura, isso era algo que sempre me impressionara desde pequena.
Sobre a cama estavam espalhados vários papéis, meu celular alguns chicletes e uma calculadora. Nenhum espaço para que eu pudesse dormir, mas isso não importava, o sono não vinha.
Desci até a cozinha e preparei um expresso. Pensei na psicologia reversa, se estava sem sono, talvez tomando um café ao invés de ficar mais acordada meu cérebro entenderia que seria hora de ir dormir, e assim segui novamente para o quarto com uma caneca de café fumegante.
Sentei no parapeito da janela novamente e voltei a olhar para as luzes brilhantes. Não me lembro por quanto tempo fiquei naquela posição, vagamente me lembro de um resto de expresso frio na caneca e os papéis que outrora estavam organizados, amassados em cima da cama formavam uma colcha de voil.
O celular tocando enlouquecidamente me fez perceber que a madrugada havia passado há muito, e que novamente estava atrasada para mais um dia.

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